Conselhos para um amigo que casou e não sabe.Tenho um amigo que casou e não sabe. Isto é, foi morar na casa da namorada de mala, cuia e biblioteca, e continua achando que está só namorando. A opinião dela eu ainda não colhi.Já passei por isso de ir ficando na casa da namorada pelo menos duas vezes, e me senti com autoridade para dar-lhe uns conselhos.Número um: manter seu quarto montado na casa dos pais. É imprescindível que se mantenha intacto o ponto de referência que proporciona a sensação de "volta pra casa". Mães costumam ser fortes aliadas na luta pela resistência. Conte com ela. E, a cada 15 dias, vale levar sua namorada ou, antes, sua mulher para uma visita ao ninho. Uma vez lá, com ela sentada e emburrada ao pé da cama, fique mexendo nas suas coisas e conte uma história importante sobre o binóculo, a lanterna ou o canivete suíço.
Segunda lição: uma vez no novo lar, contribua única e exclusivamente com supérfluos. Contas de água, luz ou gás, para todos os efeitos, você nunca viu e nem sabe como funciona. Mas como você não é um gigolô, contribua sempre com vinhos, cervejas e o seu uísque predileto. Uma garrafa que possa durar muito, como as de Angostura ou Noilly Prat podem significar raízes e devem ser evitadas. Haverá um almoço festivo? Compre endívias, cogumelos, patês, queijos fortes. Alface, manteiga e queijo minas cheiram a cotidiano. Flores sempre, mas rosas, gérberas, crisântemos - deixe as orquídeas para a dona da casa.Terceira e última lição: a cada dois ou três meses simplesmente não volte. Tome um porre com os amigos e vá para a casa da sua mãe, que estará devidamente instruída a telefonar para ela, de madrugada, falando mal de você e se culpando pelo seu jeito irresponsável. Vai completar dizendo que você desmaiou no sofá e não consegue te acordar, mas que não se incomoda se ela quiser vir tentar - ela não vai, é claro. Na manhã seguinte você levanta, toma um belo banho, faz uma barba caprichada e volta pra casa com as coisinhas que ela adora no café da manhã e a rosa mais linda que houver. Diga que bebeu sem comer e não quis incomodar. Peça perdão e seja todo ouvidos.Finda a aula, trocamos de assunto e seguimos conversando madrugada adentro. Dali a pouco ele atende ao telefone. De súbito seu rosto se ilumina como o de uma carola diante de Sua Santidade o Papa Bento XVI. Troca algumas doces palavras, desliga e me diz transbordando de alegria: "Eu não resisto ao riso dela. Vou pra casa. Tchau".Eu fiquei lá, com meu uísque, pensando no Zuenir Ventura, que definiu assim três sentimentos nossos: "Ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha". Perdão, meu amigos, mas eu cobicei a felicidade de vocês...
Segunda lição: uma vez no novo lar, contribua única e exclusivamente com supérfluos. Contas de água, luz ou gás, para todos os efeitos, você nunca viu e nem sabe como funciona. Mas como você não é um gigolô, contribua sempre com vinhos, cervejas e o seu uísque predileto. Uma garrafa que possa durar muito, como as de Angostura ou Noilly Prat podem significar raízes e devem ser evitadas. Haverá um almoço festivo? Compre endívias, cogumelos, patês, queijos fortes. Alface, manteiga e queijo minas cheiram a cotidiano. Flores sempre, mas rosas, gérberas, crisântemos - deixe as orquídeas para a dona da casa.Terceira e última lição: a cada dois ou três meses simplesmente não volte. Tome um porre com os amigos e vá para a casa da sua mãe, que estará devidamente instruída a telefonar para ela, de madrugada, falando mal de você e se culpando pelo seu jeito irresponsável. Vai completar dizendo que você desmaiou no sofá e não consegue te acordar, mas que não se incomoda se ela quiser vir tentar - ela não vai, é claro. Na manhã seguinte você levanta, toma um belo banho, faz uma barba caprichada e volta pra casa com as coisinhas que ela adora no café da manhã e a rosa mais linda que houver. Diga que bebeu sem comer e não quis incomodar. Peça perdão e seja todo ouvidos.Finda a aula, trocamos de assunto e seguimos conversando madrugada adentro. Dali a pouco ele atende ao telefone. De súbito seu rosto se ilumina como o de uma carola diante de Sua Santidade o Papa Bento XVI. Troca algumas doces palavras, desliga e me diz transbordando de alegria: "Eu não resisto ao riso dela. Vou pra casa. Tchau".Eu fiquei lá, com meu uísque, pensando no Zuenir Ventura, que definiu assim três sentimentos nossos: "Ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha". Perdão, meu amigos, mas eu cobicei a felicidade de vocês...
LEO COUTINHO